quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Um susto grandesco*...

Na segunda semana da escola da Constança, 5ª feira dia 1 de Outubro, a Constança acordou a dizer que lhe doía a barriga, aparentava estar normal, não liguei e foi para a escola. Às 13.00h telefonema da escola a dizer que a Constança tinha vomitado, estava muito murcha, não devia estar bem porque ela não era assim... Fui busca-la, era uma virose, pensamos... Esteve sempre em casa desde bebé, nunca foi exposta às doenças que as crianças apanham nos infantários, pensei que tinha chegado a vez dela. Adormeceu, e acordou bem disposta, quis lanchar. Estava bem. Voltou a vomitar.
De noite fez febre, não muito alta, o normal, pensei eu, uma virose e o corpo a tentar combate-la.
De manhã acordou a queixar-se de muitas dores de barriga, mas já não eram as mesma do dia anterior, eram muito mais fortes, e mais do lado direito.  A Constança não estava bem e devia ser grave. Ela nunca se queixa de nada. Ligo ao pai para vir para casa, temos de ir com ela ao pediatra ou talvez ao hospital porque isto não é normal, deve ser preciso fazer exames, disse eu. Internet, Dr Google, essa maravilha dos tempos modernos: APENDICITE. Saúde 24, infecção urinária, disseram (ela queixava-se também a fazer xixi), tem de ser vista por um médico. Fico mais descansada... Enquanto esperávamos pelo pai, ela não se mexia e só se queixava com as dores, não andava, só ao colo. 10.30 chegamos ao pediatra e quando ela disse que lhe doía a fazer xixi mandou colher a urina para as analises, foi observa-la e eu fui preencher os papeis para as análise. Quando cheguei junto deles, nem 5 minutos depois o pai já tinha uma carta na mão para entregar no hospital: APENDICITE, ou gastroenterite. Tinha de ser vista por um cirurgião pediatra. Chegamos ao hospital de VFX às 11.20 da manhã. Pulseira amarela. Fomos logo atendidos. A Constança já só chorava e não deixou os médicos apalparem. Ecografia. Espera. Inconclusiva. Análises. Espera. Infeção. Suspeitamos de APENDICITE, mas não temos especialidade de cirurgia pediátrica, tem de seguir para a Estefânia. (Fomos bem tratadas no Hospital de Vila Franca de Xira mas faz-me muita confusão, terem suspeitado logo de inicio de apendicite e não terem mandado logo para a Estefânia, se ali não havia um Cirurgião para resolver o problema, para quê esperar...). Chegamos à Estefânia às 19.00h. Fomos atendidas. Ecografia. Confirma-se, é APENDICITE. Vai ser operada, como só passaram 36horas desde o inicio dos sintomas, ainda não deve ter rebentado, são 48h de internamento e vai para casa. 22.00 entra para o bloco. 23.20 Correu tudo bem, mas já tinha uma pequena perfuração, vai ter de ficar 5 dias no mínimo a fazer antibiótico. Ficou 6...
E assim se passaram os primeiros dias de Outubro. No Hospital Dona Estefânia... Correu tudo bem, já passaram quase duas semanas desde que veio para casa e está como nova!
 
A matar as saudades da irmã
 

Notas Soltas:
 
Isto da apendicite é uma coisa chata, quanto mais tempo passa mais a infecção alastra e fica mais complicado de resolver, e pode matar em pouco tempo se não for diagnosticado...
 
Nisto tudo uma agradecimento às médicas que a viram e operaram, todas muito atenciosas, e um muito especial a todos os auxiliares e enfermeiros, que para mim são a alma de um hospital. Já estive internada 3 vezes (dois partos e uma cirurgia) e a Constança duas vezes (10 dias quando nasceu e 6 agora) e continuo a achar que são a peça chave para a recuperação de uma pessoa. A atenção, o carinho e o cuidado com que tratam de nós são muito importantes e ajudam a que nos sintamos melhor. (só houve uma enfermeira que odiei em todos os internamentos, foi no Hospital de VFX no pós parto da Constança, mas toda a regra tem uma excepção, não é???)
 
Quem teve a ideia de criar o Sistema Nacional de Saúde fez uma coisa mesmo muito boa. A Constança teve todo o tratamento que necessitou, em Hospitais Públicos e não pagamos nada, ou seja, qualquer criança, com mais ou menos dinheiro pode ter acesso a um serviço essencial para a sua sobrevivência (porque tratava-se de um caso de vida ou de morte). Não podemos deixar que os nossos queridos, ou não tão queridos, governantes, acabem com ele, ou o privatizem de qualquer forma, sob pena de haverem crianças com menos recursos a morrerem de apendicite por falta de dinheiro para pagar os tratamentos...

Existem muitas melgas no Hospital D. Estefânia. Mesmo muitas. A Constança e as outras crianças estavam todas picadinhas... Era importante que a administração fizesse alguma coisa a respeito. As picadas e a comichão só agravam uma situação que já de si não é das melhores!


*Grandesco é uma das muitas palavras que a Constança inventa, e quer dizer muito grande!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A Constança já anda na "escola"...

... e adora!
 
Já passou quase um mês desde que a Constança foi para o Pré-Escolar e aconteceu tanta coisa que eu ainda não tinha tido oportunidade de contar como foi... (E isto quero deixar escrito para mais tarde recordar!)
 
Até agora a Constança nunca tinha estado sem ser em casa comigo. Quando nasceu estava inscrita num berçário, mas com o aproximar do fim da licença de maternidade decidi(mos) que ela era muito pequenina e que devia ficar em casa por mais um tempo. Fazia-me confusão ter de a deixar às 7.30h e só poder ir busca-la por volta das 19.00 (o pai, porque eu nos dias em que fosse para a empresa chegava só depois das 20.00h). Dei uma volta à minha vida profissional, e fiquei a trabalhar a partir de casa em part-time (a empresa onde trabalhava adorou a minha proposta, estávamos (e estamos) em crise no sector da construção, o trabalho era pouco e trabalho em part-time corresponde a menos despesa para eles ao fim do mês). A ideia era ficar mais um ano com ela em casa, mas prolongou-se até agora! Não me arrependo nada de ter ficado com ela em casa e espero ter condições para poder ficar com a Carolina até ela também ter idade de ir para o Pré-Escolar.
 
Como ela tinha estado sempre em casa, tinha algum receio dos primeiros dias, do choro, das birras, mas nada disso aconteceu!
 
No primeiro dia levei-a à sala e tive de lá ficar para preencher papelada, enquanto lá estavam os pais ela só dizia, "mas quando é que eles se vão embora? Eles têm de ir embora!". Depois enquanto lá estive a falar com a educadora ela andou sempre a brincar, parava e ia-me perguntar quando eu ia embora e depois continuava a brincar. Vim-me embora e nem me ligou... Quando a fui buscar disse-me que a escola era muito divertida e que queria ir no dia seguinte! E disse o mesmo todos os dias quando a fui buscar...
 
Nunca houve um choro (uma vez estava a chorar quando eu lá cheguei porque tinha batido com a cabeça no puxador da porta, nada que não lhe aconteça em casa!). Segundo a Educadora ela anda sempre a brincar, cheia de energia! É esta a minha filha...
 
Entretanto ficou doente, foi operada (conto noutro dia) e não tem ido para a escola. Associa a escola ao sitio onde ficou doente e dizia que não queria voltar lá. Ontem foi tirar os pontos e à noite disse, "já não tenho o penso mágico, posso ir para a Escola amanhã???" Ainda não, mas está quase de regresso e eu espero que se habitue tão bem como da primeira vez!
 
Quanto a mim, apesar de estar habituada a estar com ela sempre, e às vezes sentir falta dela, adorei o som do silêncio em casa! Quem conhece a Constança sabe que ela fala muito, mas mesmo muito, o que pode ser muito desgastante para quem a ouve durante um dia inteiro, e eu amo o silêncio...
São só 6 horas por dia, passam rápido e fazem bem a mãe e filha!